Em comunidade ribeirinha no PA, estudantes indígenas criam gibis sobre conservação ambiental inspirados no livro Amazon – Guerreiros da Amazônia

Escola faz parte do Sistema Modular de Ensino Indígena (Somei) e abrange comunidades indígenas e não indígenas. Projeto visa o incentivo à leitura

A obra que conta a saga de super-heróis amazônicos em defesa da floresta serviu de inspiração para que estudantes indígenas da Aldeia Nova Vista, localizada na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, no município de Santarém, oeste do Pará criassem as próprias histórias com base na realidade local. As aventuras foram escritas em forma de gibi.

A ideia de apresentar a trilogia “Amazon-Guerreiros da Amazônia” aos alunos do ensino médio modular indígena partiu do professor de artes e filosofia, Marcelo Neves, que sentiu a necessidade de levar à sala de aula discussões sobre a preservação ambiental na região amazônica numa linguagem acessível que prendesse a atenção dos jovens. Os estudantes ficaram encantados com a história. Segundo Neves, até então os alunos nunca tinham lido um livro didático do começo ao fim, sempre paravam na metade ou perdiam o interesse. O fato deixou o professor bastante curioso e ele quis saber qual motivo levou os jovens a devorarem as páginas em tempo recorde. “A escola tem uma biblioteca e mesmo assim nunca tiveram interesse pela leitura, perguntei o porquê e eles responderam que era por causa das imagens.”

Quando se trata de conservação ambiental, o entendimento das populações indígenas vai muito além da importância de se manter uma floresta em pé. “Eles entendem que preservar significa preservar também a própria vida deles. Eles perceberam que não precisa ser super-heróis, à moda dos quadrinhos, para fazer algo em prol da natureza”, disse.

Uma gincana de conhecimentos

Os estudantes da Aldeia Nova Vista fazem parte do Sistema Modular de Ensino Indígena (Somei), cursam o 1º ano do ensino médio, numa faixa etária entre 14 e 18 anos. Para estimular o interesse desses jovens em debater temas importantes como: sustentabilidade, meio ambiente, cidadania e conservação da Amazônia, o professor elaborou uma espécie de gincana cultural, com perguntas e respostas referentes à obra lida.

Marcelo propôs a turma uma atividade que fosse instrumento de incentivo a leitura, foi daí que surgiu a ideia dos alunos produzissem suas próprias aventuras e histórias em forma de gibi. “Por influência do livro achei oportuno eles falarem de algo sobre a realidade deles. Os deixei livres para eles criarem, e por influência dos Guerreiros da Amazônia eles escreveram sobre o desmatamento, pesca ilegal e também a importância dos “puxiruns” (trabalhos coletivos)”, ressaltou o professor.

Durante a dinâmica os alunos puderam expressar suas ideias, opiniões, soluções para os problemas ambientais que assolam não somente a Amazônia, mas o planeta. Neves afirma ainda, que apesar de os Guerreiros da Amazônia não serem um Gibi, usa das imagens como entretenimento visual que prende a atenção do leitor.

A diretoria da escola apoiou a iniciativa, gostou muito da proposta do livro e pretende propor aos demais professores do município que adotem a obra como material didático e de apoio às disciplinas como artes, geografia, história e literatura. Bem como, as matérias sobre clima, meio ambiente e florestas tropicais.

Trilogia Amazon – Guerreiros da Amazônia

Ambientado no seio da Floresta Amazônica, os três livros contam com 10 personagens inspirados em animais ícones da floresta, como onça, arara, boto, ariranha e macaco. A história inicia com um encontro dos líderes indígenas momentos depois da colonização do Brasil.

Eles criam uma comunidade chamada Amazon que é presenteada pela natureza com armaduras sagradas. Alguns jovens são convocados para usar as armaduras, e cada vez que a floresta entra em perigo os super-heróis entram em ação com a missão de salvar a Amazônia da devastação.

A obra ajuda também a mostrar e explicar de forma simples e objetiva a importância da floresta Amazônica para as crianças que vivem em grandes centros urbanos, essas que na maioria, cresceram sem a conexão com a natureza.

A história dos Guerreiros é uma sementinha de esperança para uma geração que definirá o futuro da Floresta e do seu povo nos próximos 15 anos. Os livros chegaram até a Resex por meio de doações do próprio autor, Ronaldo Barcelos.

Sobre a Resex Tapajós Arapiuns

A Reserva Extrativista é uma unidade de conservação federal, na categoria de uso sustentável. Foi criada em 1998, com aproximadamente 650 mil hectares, abrangendo os municípios de Santarém e Aveiro, também no oeste do Estado, sendo composta por várias comunidades agroextrativistas indígenas e não indígenas.

A escola Nossa Senhora de Fátima fica na aldeia indígena Nova Vista, localizada no Rio Arapiuns, o acesso é via barco, a viagem dura cerca de 6 horas.

Nas 74 comunidades que fazem parte da reserva vivem 3.660 famílias, cerca de 15,3 mil habitantes. A gestão do território é feita pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Icmbio).

Ana Carolina Maia para a revista Plurale
Fotos dos alunos em sala de aula e com os livros: Rafael Lobato

Escritor Ronaldo Barcelos visita escola em Curicica – Zona Oeste do Rio de Janeiro

Alunos estão encantados com os Guerreiros da Amazônia

Na tarde quarta-feira (29), o autor da trilogia Amazon – Guerreiros da Amazônia, esteve na escola Lar de Angélica II, em Curicica, Zona Oeste do Rio para uma roda de conversa e autografar os livros. Os alunos leram o volume I da obra e ficaram muito empolgados com a história e com a grandiosidade da floresta Amazônica. Super-heróis com poderes fantásticos, armaduras sagradas, animais da fauna amazônica unidos em uma só voz: salvar a floresta Amazônica da devastação provocada pela ganância do homem. Esses temas chamaram a atenção de alunos do 5º e 6º ano que frequentam a casa de apoio da escola Lar de Angélica.

O livro foi apresentado às crianças através de uma professora voluntária.
A recepção por parte dos alunos não poderia ter sido melhor. Nas primeiras páginas eles já ficaram entusiasmados com a ideia de os heróis serem brasileiros e de lutarem para defender as riquezas do próprio território. A obra serviu de apoio para o aprendizado de outras disciplinas como história e geografia. “Eles não sabiam muita coisa sobre a Amazônia e nem sobre a região norte e com os livros eles ficaram muito empolgados em querer saber mais sobre a cultura, a história e foram instigando a gente a trazer mais informações pra ele”, afirmou a professora Larissa Leite.

Quando Ronaldo chegou na sala de aula as crianças vibraram!! Abraçaram e cumprimentaram o autor. A maioria estava com o livro nas mãos e mostraram seus heróis preferidos. As crianças fizeram perguntas, comentaram sobre o que mais gostaram durante a leitura. Foi uma ótima troca de conhecimentos entre autor e os leitores.

Um dos alunos, Flávio, de 11 anos, comentou que depois de ler o livro ficou mais atento com as questões ambientais e agora procura fazer a sua parte para ajudar na conservação do planeta: “Eu agora não jogo mais o lixo na rua! E digo para os amigos não jogarem também”, afirmou. Após a roda de bate-papo foi oferecido um lanche com comidinhas típicas da região norte, como salgadinhos de cupuaçu, suco de açaí, castanhas-do-Pará e bolo de macaxeira. Utensílios típicos do artesanato amazônico foram expostos e os alunos puderam conhecer um pouco mais da cultura e culinária nortista.

Texto por Ana Carolina Maia para a revista Plurale